quinta-feira, 14 de abril de 2011

Conversão Judaica

A maioria dos países civilizados garante a liberdade religiosa por puro respeito à Declaração Universal dos Direitos humanos que diz em seu Artigo 18:

“Toda pessoa tem direito à liberdade de pensamento, consciência, religião; este direito inclui a liberdade de mudar de religião ou crença e a liberdade de manifestar essa religião ou crença, pelo ensino, pela prática, pelo culto e pela observância, isolada ou coletivamente, em público ou em particular.”

Mudar de religião é um direito humano protegido por lei.

No Brasil existe o princípio da saparação entre a igreja e o Estado e a liberdade religiosa é garantida pela Constituição Federal (Art. 5). A constituição brasileira trata da inviolabilidade da consciência e crença religiosa portanto você tem o direito de praticar qualquer religião e ponto final.

RESTRINGIR A LIBERDADE RELIGIOSA DE UMA PESSOA É ATO DE DISCRIMINAÇÃO COM PENAS PREVISTAS EM LEI. É ASSIM EM TODOS OS PAÍSES CIVILIZADOS.

Todos são livres para escolher a religião que mais satisfaz às suas necessidades psicológicas e espirituais. Se você optou por ser judeu, candomblecista ou presbiteriano, a sua vontade é protegida por Lei.


Art. 5/VI - é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias.

Art. 5/VIII - ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política (...)

A conversão através de uma instituição judaica progressista (também chamada reformista ou liberal) não faz de você mais judeu ou menos judeu. Se você deseja se tornar judeu por causa da religião em si, você pode aderir a qualquer movimento judaico, seja ortodoxo, liberal, humanista, conservador, etc, desde que a conversão siga os princípios da sagrada Torá. Se você deseja se tornar judeu para obter a cidadania israelense, você deverá procurar um Rabino ortodoxo para realizar a sua conversão. Há pessoas que querem obter cidadania israelense para ir morar em Israel ou porque vão se casar com parceiro(a) israelense.



Mesmo dentro de Israel a questão da judaicidade de uma pessoa ainda é muito discutida pois existem divisões até entre os diferentes movimentos ortodoxos que não reconhecem uns aos outros como legítimos. Há movimentos judaicos ortodoxos que sequer reconhecem a legitimidade do Estado de Israel como é o caso do Neturei Karta (”guardiões da cidade”).

O judaísmo reformista (ou reconstrucionista) reconhece a linhagem patrilinear portanto filho de pai judeu também é judeu. A transmissão da identidade judaica através da mãe é um conceito arcaico que se aplicava há 3000 anos quando não existia NENHUM teste de paternidade. Havia a certeza de quem era a mãe de uma criança (pois gerou e pariu) e a dúvida de quem seria o pai. Hoje temos exame de sangue e DNA em qualquer esquina para atestar a paternidade, por isso o judaísmo reformista considera também judeu o filho de pai judeu.

Na época de Abraão a circuncisão era feita com instrumentos de pedra e sem higiene. Hoje é feita no hospital ou na sinagoga com bisturi e esterilização. Por que os rabinos radicais não voltam a essas práticas arcaicas se dão tanto valor às tradições?

Numa visão atualizada da identidade judaica alguém é judeu se for filho de pai ou mãe judeus ou se for convertido de acordo com a Torá. Toda a discussão sobre identidade judaica nos dias de hoje gira em torno do esforço do governo de Israel para controlar suas fronteiras, é um problema clássico de imigração. Se as novas leis israelenses sobre reconhecimento da identidade judaica entrar em prática, milhões de judeus no mundo inteiro “deixarão de ser judeus!”,300 mil só no Leste Europeu, sem contar EUA, Brasil, Argentina, etc. Serão judeus apenas os convertidos pelos preceitos arcaicos da ultra-ortodoxia (desculpe a redundância). É capaz de voltar a circuncisão com pedra no prepúcio de uma criança de 8 dias.

O radicalismo quanto à identidade judaica é apenas a ponta de um iceberg feito de preconceito, alienação e racismo pois segundo os rabinos radicais, mulheres não podem ser rabinas e nem se sentar nos assentos frontais dos ônibus, gays não podem se converter, TV, MP4 e internet são proibidos.